ENTRE NÓS - A Escola Do Desejo - 30 de julho de 2017

A escola do desejo

O verão é uma época propícia para grandes eventos. Durante este período, muitos jovens casais decidem oficializar a relação através da cerimónia religiosa. São tantos os casos que nem sempre é fácil encontrar um lugar adequado para a festa – um casal amigo, com seis meses de antecedência, teve de recorrer a um dia de semana porque ao sábado já não havia vagas…

Aqui e ali repete-se a velha fórmula com ligeiras variações «vou estar contigo, prometo-te, na alegria e na tristeza, na saúde… todos os dias, venha o que vier, será para sempre». Só faz uma promessa destas aquele que, estando de bom juízo, encontrou no outro o seu tesouro, a grande pérola, toda a riqueza que naturalmente o distanciou de outras ricas possibilidades. «Tu és a minha terra… a minha rede, a minha casa, o meu Norte, o Sul», e por aí adiante, «até que a morte nos separe».

A descoberta deste tesouro é motivada por uma energia que é inata em nós. Uma espécie de faro que nos segreda inesperadamente: «é aquela e não esta», sei com certeza. «É este e não aquele», aposto. Em geral, tais convicções estão associadas a manifestações físicas, uma espécie de tremor de terra interior cujas réplicas são difíceis de nos manter de pé e conscientes. Assim vamos. Inquinados pelo que se descobriu. Sentimos que é necessário chamar à razão o desejo. Falar com ele. Entrelaçá-lo cuidadosamente de razões. Educar e reorientar. Porque o desejo, sem razão, é sinal de pouca saúde… é desejo que escraviza, desejo possessivo, desejo que não respeita o outro, desejo omnipotente, desejo que se confunde com capricho, força cega que se detém com a reluzente bijuteria e menospreza a pedra preciosa, refém da aparência. Mas sem verdade nem beleza a data de caducidade é curta. Não tem remédio. E a velha fórmula não produz efeito. Está condenada ao fracasso. Não foram ditas pelas pessoas certas, na hora certa.

Percebemos, por isso, que o desejo precisa de ser orientado. Neste sentido, a Palavra de Deus é uma excelente escola. A comunidade cristã que se reúne regularmente pode formar uma turma, um grupo que se dispõe a aprender os segredos do desejo e como encaminhá-lo para o Bem Maior.

Em matéria religiosa, o nosso hoje assemelha-se por vezes a uma “loja do chinês”, tem de tudo o que precisamos, mas nem sempre o que adquirimos serve realmente quando é necessário. Que o Senhor, que inspirou o sábio rei Salomão e nos oferece o seu tesouro, nos guie para que façamos sempre as escolhas certas.

Pe. Nélio Pita, CM